Sozinha na Chapada dos Veadeiros

Continuando sobre a minha viagem sozinha na Chapada dos Veadeiros, aqui escrevo sobre o restante do roteiro. (primeira parte aqui)

Janela do Abismo – Mirante da Janela – Dia 3 – sábado 06/07

Esta foi a parte mais esperada confesso e a que mais exigiu de mim, física e mentalmente.

Primeiro porque estava em época de seca e a única fonte de água no caminho estava só uma pocinha pequena.

O dia estava lindo mas o sol impiedoso e cara, como Minas Gerais consegue ser quente e seca kkkk. Essa é uma coisa que eu aprendi aqui, a levar em consideração as variáveis não só de chuva, mas do clima local e que eu não estaria acostumada.

A ideia era ir de tarde para ver Cachoeira do Abismo e Mirante da Janela com pôr-do-sol, que é maravilhoso em qualquer parte da Chapada.

Mas hoje, se alguém perguntar, eu indico assistir o nascer do sol e depois ir ao Vale da Lua. Primeiro cansa, assiste um espetáculo e depois descansa nas águas do Vale.

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Placa na entrada para Mirante da Janela
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A entrada foi R$ 15,00 com um senhor na portaria, oferecendo café e muita simpatia. Como a placa acima diz, levei 1,5L de água e foi tudo, poderia ter levado mais.

Dica master: vá com guia local. Seja para nascer ou pôr do sol, contrate um guia. 

Mesmo sozinha na Chapada dos Veadeiros, fiz questão de contratar guias, somente um passeio eu fiz totalmente sozinha, que foi no Circuito Loquinhas.

Quando cheguei, um trio de meninas estava voltando e contando que se perderam em um trecho da trilha, isso de dia, imagina eu que queria voltar de noite, pós pôr do sol?

O trecho é bem irregular, hora tem pedras, hora é plano, sobe e desce e sol, muito sol na cabeça. Chapéu/boné aqui são imprescindíveis. Mas a vista… a essa compensa absurdamente!

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Gratidão de poder apreciar esse lugar que eu nem sonhava que existia

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Definição de magia atualizada com sucesso.
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Planta conhecida como Chuveirinho, iluminada pela lanterna na volta. Detalhe: mais alta que eu (1,65m)

Dia 4 – 07/07/2019 domingo

Circuito Macaquinhos  Couros

Tive que retirar o Circuito Macaquinhos pois não daria tempo de fazer, já que cheguei tarde no primeiro dia e o Mirante da Janela era minha prioridade.

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Chapéu virou amigo inseparável

Para este passeio me infiltrei em um grupo que estava saindo da pousada e dividimos as despesas em 4: guia + transporte.

As Cataratas dos Couros entrada grátis! A única coisa que pedem é auxílio no estacionamento pois, duas famílias se revezam para manter a segurança por lá, também é na entrada que se deve reservar almoço.

O almoço é opcional mas vale muito, R$ 30,00 comida à vontade feita em forno à lenha.

Lá também é possível ir até a Cachoeira da Muralha, mas não descemos, estava com pouca queda e a descida era muita técnica, tomaria tempo e preferimos aproveitar as piscinas da parte alta.

Para chegar até as Cataratas dos Couros propriamente dita tem uma trilha simples até, nada que exige tanto, mas vá de tênis, muitas pedras.

O lugar é de encher os olhos, dá para escolher onde nadar, onde meditar, onde fazer picnic de tão extenso que é, várias piscinas naturais e as cataratas são lindas mesmo na seca.

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Cataratas dos Couros, poço 1, mais fundo.
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Continuação das Cataratas dos Couros, piscinas e mais piscinas

Dia 5 – 08/07/2019 segunda-feira – Santa Bárbara e Candaru

Neste dia, sendo uma segunda-feira, eu tinha planejado ir até a Cachoeira Santa Bárbara justamente por ela ser bem procurada e o local (Comunidade Kalunga) ter limitação de visitas. São três Cachoeiras (mais recentemente abriram uma quarta), sendo a Sta Bárbara a mais famosa.

Deduzi que pelo dia da semana seria mais tranquilo mas o que eu não contava era que: os quilombolas iriam fechar naquela semana as visitas para festejos próprios, ou seja, O MUNDO estava lá tentando entrar. kkkkkkk Cada K uma lágrima.

fila
Cada K uma lágrima

Saímos às 5h30 (por erro de comunicação porque era 5h) e quase que não deu tempo de entrar, devido volume de pessoas. A portaria abria 7h00 para distribuição de senhas, somente 300 pessoas podem entrar por dia e este seria o último dias antes dos Kalungas fecharem a entrada para festividades das tradições deles por 6 dias.

Detalhe que eu só soube na hora: não pode mais ir a pé até as cachoeiras, apenas para a Cachoeira Capivara que acabou não dando tempo de visitar.

Apenas os veículos do parque podem circular por lá e você paga na hora para o motorista a taxa do veículo, em Julho/2019 era R$10,00 por pessoa. Os acessos comportam apenas um veículo por vez, então eles trabalham com sistema de rádio para subir ou descer.

Abaixo instruções sobre a visita nas cachoeiras do povoado Kalunga:

“A contratação do guia é obrigatória e os grupos são formados por até 6 pessoas. O guia pode ser contratado em Alto Paraíso, São Jorge ou na própria sede do povoado Kalunga Engenho II (recomendamos contratar lá). Para visita à Cachoeira Santa Bárbara e à Cachoeira da Capivara, o custo será de R$ 100 pelo guia. Se o passeio incluir também a Cachoeira Candaru, o valor sobe para R$ 150. Vale juntar com outros visitantes na sede do Centro de Atendimento ao Turista para baratear os custos por pessoa.”

No meu caso, mais uma vez dividi despesas com um hóspede da pousada, desta vez era só eu, ele e o guia. Que aliás, se não fosse o guia não teríamos entrado.

Hoje já é possível comprar online, facilitando e MUITO, porque tinha ônibus com turistas lá desde às 4h30 da manhã! Eu sou a favor da limitação de pessoas e inclusive de tempo em locais como estes, de preservação, mas também gostei muito de saber que melhoraram o sistema de senhas/ingressos.

Imagina chegar 5h, esperar até 7h e não conseguir entrar?

Abaixo comunicado sobre os ingressos online:

Para preservar os atrativos naturais é obrigatório o acompanhamento de um guia para fazer as visitações nas cachoeiras. Os guias podem ser contratos na hora, no CAT (Centro de Apoio de Turista) que abre às 8h, que já ficam esperando os turistas chegarem e saem por uma ordem já pré-definida de chegada. O preço médio do guia, para grupos de até 8 pessoas, é R$100.

    • Em agosto de 2019 foi implementado um novo sistema de compra de ingresso online. Agora você pode comprar o ingresso para conhecer Sta. Bárbara, Cachoeira Candaru e Capivara. Para comprar é só entrar nesse link e seguir o passo a passo → quilombokalunga.ecobooking.com.br.Por enquanto, o sistema está em fase de testes, mas a longo prazo a ideia é que funcione para mais 16 atrativos da região. Não sei direito como vai funcionar esse esquema de vendas pela internet, sobretudo, no caso de Sta. Bárbara que tem limite de visitação. Segundo informações dos guias kalungas, a proposta é que no futuro as reservas sejam feitas apenas pela internet.
    • Dê preferência por guias da própria comunidade, evite contratar um guia em Alto Paraíso. Contratando um guia kalunga você incentiva o turismo regional sustentável e ajuda a econômica local.
    • Durante a alta temporada e feriados têm fila para entrar na Cachoeira de Santa Bárbara. A cachoeira têm limite de 200 pessoas por dia, nos finais de semana e feriados. Nessa época, muitos não conseguem visitá-la pois os turistas que dormem em Cavalcante e até no mesmo no Engenho conseguem chegar primeiro. Para ter ideia, uma vez, saí de Alto Paraíso às 4 horas da manhã, cheguei no CAT às 7h e não tinha mais ingresso.
    • O tempo de visitação na Cachoeira Santa Bárbara é de 1 hora.

Cachoeira Santa Bárbara

Para a Cachoeira Santa Bárbara fechei no EcoRotas com guia local, na pousada pois como disse, uma pessoa já estava indo e dividimos as despesas.

Na Cachoeira Sta Bárbara depois chegamos rápido, pode ficar só 1h cada guia com seus clientes. O guia chega e dá os nomes dos guiados para uma pessoa responsável por controlar os horários de cada grupo que chega.

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Quase na hora de ir embora consegui uma brecha para esta foto sem uma multidão aparecendo kkk
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Aqui o motivo do frenesi com Cachoeira santa Bárbara: olha essa água!
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Visual maravilhoso no caminho para Cachoeira santa Bárbara – Chapada dos Veadeiros

 

Cachoeira Candaru

Já a Cachoeira Candaru eu elegi como a mais linda e aproveitei mais.

Como estava bem lotado e todos queria aproveitar Sta Bárbara, descemos primeiro na Cachoeira Candaru e foi a escolha certa.

Pessoal foi direto para Sta Bárbara e teve que ficar esperando na ‘corda’, enquanto Candaru estava tranquila. Essa ‘corda’ é o ponto de embarque e desembarque do veículo que leva os visitantes até a trilha que vai para a cachoeira.

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Os 70 metros das três quedas da Cachoeira Candaru, uma surpresa agradável.

Na Cachoeira Candaru ficamos bem à vontade, nadei muito, curti muito aquele lugar lindo, é possível subir até a segunda queda que tem outra piscina natural lá em cima.

Sinceramente? Gostei mais de Candaru do que de Sta. Bárbara, me julguem.

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Segundo poço da Cachoeira Candaru

 

E depois?

Depois de visitada as cachoeiras bateu aquela fome.

No caminho de volta tem algumas opções de almoço no mesmo esquema de quando fui em Couros: 30 reais à vontade e comida caseira.

comida
Aquela pratada

De barriga cheia, hora de voltar, ainda tinha mais dois locais para ir: Santuário das Araras e Mirante. Tentamos ir no Paralelo 14 ver o pôr do sol mas não deu tempo.

Na cidade de Cavalcanti tem uma senhora que criou no quintal da sua casa um Santuário para araras. Tudo aberto e muito verde, ela pede apenas contribuição de R$2,00 para entrar.

Ali as araras vem e voltam à vontade, coisa mais linda. Neste dia tinha três delas por lá.

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Elas descem assim, pertinho mesmo, só não pode encostar, são animais silvestres e podemos contaminar, mesmo sem querer.

Paramos no Mirante que vimos no caminho e reafirmei meu amor pelo cerrado.

Mesmo o guia acelerando para ir ao Paralelo 14, não deu, o sol estava se pondo no caminho e paramos lai mesmo. Que visual! O pôr do sol no cerrado é bem especial, não deixem de admirar.

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Todo final de tarde é esse espetáculo

À noite, fui Jantar no Bistrô perto da pousada, quase em frente e foi R$ 35,00: uma massa (prato bem cheio) + água + sobremesa (quindim). Preço justo, custo x benefício.

Dia 6 – 09/07/2019 terça-feira – Circuito Loquinhas

Como já era dia de ir embora, infelizmente, deixei o Circuito Loquinhas para o final. Primeiro por ser um dos mais próximos de Alto Paraíso e por não precisar de guia.

Assim não precisaria desembolsar mais uma diária de guia sendo que eu só tinha meio período disponível.

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Entrada do Circuito Loquinhas, estacionamento incluso

Acordei cedinho e por volta das 8h chamei um moto táxi indicado pela pousada, isso mesmo: moto. Dava para ir a pé ou de carona? Sim, mas como disse, só tinha meio período e preferi pagar.

A entrada para o Circuito Loquinhas, que é uma propriedade particular, é R$ 35 (saiu por 25 porque estava vazio/seca) + mototáxi (40 reais ida e volta – combinei horário de retorno).

Dica: incluam o Circuito Loquinhas, que delícia de lugar!

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Um poço mais bonito que o outro

Muito bem estruturado, até demais, tirando um pouco do aspecto natural. Mas é possível inclusive andar descalço por boa tarde. São diversos poços, um mais bonito que o outro.

Mais uma vez, estava no período de seca, então não tinha grandes quedas d’agua. O circuito se faz em meio período (são dois caminhos) mas se for parando nas piscinas, melhor separa o dia.

Se tiver meio período como eu, escolha um lado só e curte entrando na água, vale mais a pena.

E ai, deu vontade de conhecer esse lugar incrível?

Eu não vejo a hora de voltar!

Detalhe: fui e voltei de SP/Brasília com milhas da Azul! Deixo aqui uma dica de ouro para quem quer aprender sobre este mundo de milhas e pontos, viajar sem pagar mais do que já paga na sua fatura do cartão 😉

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